Um dia social1 min read

As cadeiras de ferro eram pintadas de uma cor metálica para dar a impressão de que eram bem resistentes. O marketing fazia seu belo trabalho de indução pelos estabelecimentos ao redor. O vermelho e amarelo das lanchonetes era bem visível e sempre chamava a atenção de todos os que, por ali, passavam.

As pessoas, sentadas em suas cadeiras, estavam a conversar sobre alguma coisa relacionada à suas vidas, mas suas ações possuíam um padrão, algo estranho de se observar. Todas aquelas que passavam pelos caminhos entre as cadeiras olhavam e copiavam o comportamento de outras, como se cada ação fosse uma simples réplica.

Em meio a esta confusão estava eu, observando, olhando, julgando e pensando nos motivos daquelas ações repetidas. Todos os olhares avaliativos sobre outros comportamentos eram recíprocos até os julgamentos mal feitos eram compartilhados. As vozes faziam sempre referência a alguém, os dedos eram apontados sempre que algo diferente surgia naquela paisagem repetitiva.

Ainda na confusão, minhas palavras estavam enlouquecidas tentando encontrar conexões entre elas para chegar a uma conclusão mais clara, porém avistei um antigo colega. Me senti aliviado ao revê-lo, até que o mesmo chegou mais perto. Ele apontou o dedo sobre mim como se a única coisa que importasse fosse um problema físico, e daí surgiu um comentário preconceituoso sobre minha aparência…

Lembro-me de o rotular como igual a todos aqueles que eu havia julgado por julgar, até perceber que fazia o mesmo e ainda descrevia como se eu fosse o único diferente. Pena que não.

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