Seria justo buscar uma vida mais solitária?3 min read

Em um desses dias de fevereiro trabalhei como nunca, feliz por estar chegando perto de conquistar um certo objetivo. Neste dia, solitário e ao mesmo tempo produtivo, estive cambaleando pelas ruas com o peso do sono que o cansaço me trouxe às 23h da noite. Eu pensava e questionava comportamento de outras pessoas, parecia uma velha fofoqueira tentando julgar uma boa conduta, ou pelo menos a conduta que menos me afetaria.

Ao chegar próximo a minha casa, numa rua qualquer, um bêbado começou a gritar grosseiramente me chamando por codinomes de insulto. Eu olhei ainda para tentar ver do que se tratava e ele perguntou sobre as horas. Respondi com o meu tom de voz normal, e ele não me ouviu. Logo comecei a receber ameaças aos berros, como se eu não o tivesse respondido.

“Se eu tivesse uma arma agora dava quatro tiros na sua cara!”

Berrou o primata. Eu continuei a andar sem olhar para trás, ignorei a situação e procurei fingir que nada havia acontecido. Mas o sentimento de ser ameaçado sem motivos maiores, me consumiu por um tempo. E esse pensamento, de existir a possibilidade de meus planos serem parados por fatalidades das ações de outros ignorantes, me deixou um pouco amedrontado.

Certamente se o primata bêbado estivesse armado, o primata gordo (eu) estaria com quatro furos a mais no corpo. Provavelmente agonizando e vendo sua vida esforçada escorrer lentamente pelo reflexo do sangue em suas mãos – imagino que uma morte assim possa ter, ao menos, uma descrição poética. Se ele estivesse armado. Por outro lado, se eu estivesse armado poderia ter feito o mesmo com ele como narrou Renato Russo na morte de João de Santo Cristo. Provavelmente com um 38 e não com uma Winchester 22.

Se eu estivesse armado me defenderia ou cometeria outro crime? Me vingaria ou o mataria sem saber se ele iria me matar? Isso eu deixo para os analistas de Facebook discutirem sobre a legalização das armas de fogo.

Voltando para a ideia central. Por toda a minha vida fui atingido pelos erros dos que me circundam. Eu louco tentei interferir ou agir para incomodar, mas gostaria de ter errado mais para tentar igualar o sofrimento. Seria possível uma vida sem os problemas de outras pessoas? Por outro lado, as boas ações também me atingem, é só olhar para a tecnologia que me beneficia todo o tempo. Ou os livros escritos para me informar. Seria justo, então, buscar uma vida mais solitária? Ou seria mais justo buscar uma vida mais útil para todos?

Tendo em vista essas questões voltemos para o lado maligno da coisa. Não sei se devo ter medo das pessoas ou devo ter pena. Na verdade, se a maioria é antiética fica quase impossível de eu me declarar correto. Então termino aqui perguntando: o que você acha sobre tudo isso? Ser sociável é fácil para você?

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