Resenha, não tão resenha, do filme Power Rangers4 min read

Tudo começou quando tive de deixar a escolha do primeiro filme do dia com uma menina de seis anos de idade. Era um suposto presente de aniversário para consolidar a mudança de idade tão esperada por ela. Quando digo que ela esperou muito essa idade, eu não estou brincando. Para ela é como se os seis anos tivesse sido o início de uma vida adulta com decisões e pensamentos livres de quaisquer julgamentos.

Se alguém tenta ajudá-la a vestir-se ouve uma frase que o impede de prosseguir​: – Não preciso de ajuda, eu já tenho 6 ANOS! Muito bem, isso não significa nada pra nós adultos, mas para ela é uma conquista surpreendente. E se você tentar pedir que ela cumpra com algum dever a mesma repete que já tem seis anos e não é obrigada a fazer nada sem querer, o curioso é que logo em seguida ela faz o combinado, mas deixa claro que fez porque quis.

Pois a menina, minha filha, escolheu o filme que segue neste título. Compramos os ingressos, e aguardamos a entrada. Na fila a menina começou a dançar uma espécie de dança/ritual tribal se escorando nas pessoas, e ainda manda a desculpa de que está cansada de ficar de pé. Eu bem suspeito que era uma dança da chuva. Tivemos ainda que enfrentar o tumulto que os nossos amigos recifenses fizeram ao entrar. Mesmo com as cadeiras marcadas, como falei na resenha anterior, o tumulto não foi evitado. Não sei se é uma vontade de trocar fluidos corporais com seus amigos, ou tirar casquinhas de feridas dos pés machucados no salão. Só sei que nada sei, e que iria assistir ao filme de qualquer jeito, com tumulto ou sem tumulto.

Nas cadeiras, os assentos ficaram um pouco separados, tivemos que escolher os do lado de espaços para cadeirantes. Mas sem mais detalhes, o filme começou.

Curti logo de cara a história sobre Zordon. Aquilo realmente fez sentido, um ET que lutou para proteger a vida na terra como um Ranger vermelho. Sim, aqui tem spoiler. A tal da Rita não era mais uma maluca asiática com chapéu de berrante. A mulher era uma Ranger, a verde, e tirou até a atenção de um pedreiro numa mina por lá. Tinha uma certa fixação por ouro, e não podemos fazer piadas machistas aqui dizendo que essa é uma mulher brasileira interesseira e que já já se tornará crente ao injetar substâncias esquisitas na coxa. Vamos dizer que a Rita superou as expectativas, apesar de ainda seguir as ideias comuns dos vilões que fazem piadas. Tanto que no meio da batalha ela parou para comer uma rosquinha enquanto o prédio era destruído pelo seu monstro de ouro. Se o filme fosse brasileiro eles teriam usado a referência daquela novela que virou meme “Eu sou Ritaaaa, Ritaaa”.

Sobre os Rangers? Muito legais, o vermelho era uma versão do Lucas Scott do One Tree Hill, porém jogador de baseball, ou futebol americano, e acabo de me dar conta que não sei exatamente o que ele fazia, dei mais importância a tal da Kimberly que logo de cara sensualizou cortando os cabelos sem motivo algum. De resto nós temos um autista inteligente, um Chinês que ama sua mãe, uma lésbica… Todos com problemas familiares, talvez para esfregar na cara dos certinhos que os erros ensinam mais que os acertos.

Tentaram mostrar a dificuldade de morfar. A roupa não é só uma roupa, vem de dentro, algo alienígena transcendental que em certo ponto pode trazer pessoas do mundo dos mortos. O mano Zordon deixou de retornar para ressuscitar o amigo Billy. Uma gesto bonito para um morto quase zumbi. E quem virou o Messias imaculado foi o mano Billy, que ressuscitou sob as lágrimas dos seus amigos.

Quando todos morfaram o cinema foi consumido por comportamentos eufóricos, olhei para minha filha, a adulta de seis anos, e vi que a menina pulava na cadeira continuando seu ritual dançante da fila. Ela gritava junto a maioria, e ria com uma enorme empolgação. Nesta hora, eu pensei os ingressos valeram a pena, e que aqueles dias que ela perdeu assistindo Power Rangers no Netflix proporcionaram aquela emoção toda.

Ainda teve mais euforia, quando a musiquinha clássica tocou e os zords se uniram, o cinema vibrou no Go Go Power Rangers. Foi ótimo. E o resto seguiu as ideias do Herói de mil faces de Joseph Campbell, nada a acrescentar. Espero que tenha gostado dessa resenha, não tão resenha assim.

Até a próxima vez.

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