O Superpoder da educação x A ignorância7 min read

Já me fizeram diversas vezes uma pergunta. Quando criança, adolescente, após assistir um filme da Marvel, após sorrir com um MMO qualquer. Essa pergunta deve ter sido feita a quase todos os que nasceram nessa era em que a fantasia atingiu o seu auge. O curioso é amadurecer é ver a forma como as respostas foram mudando. Mas se hoje eu me fizesse essa mesma pergunta teria que acrescentar motivos para tal resposta.

“Qual superpoder você gostaria de ter? ”

Antes eu poderia responder de forma rápida e escolheria o poder que me fosse mais conveniente no momento da pergunta. Em momentos pervertidos quem nunca pensou em ser invisível? Já nos momentos amedrontadores os superpoderes ofensivos seriam a melhor escolha, já que ficar invisível não te deixaria imortal. E me lembro de vários momentos em que imaginei controlar o vento e o que poderia fazer, ou controlar a água como na “Lenda de Aang”, mas certamente não me sairia bem com as coreografias do poder. Após um período de amadurecimento, as verdadeiras razões que me levariam a uma vida que vale a pena, vieram à tona. Eu poderia simplesmente desejar um poder individual que me beneficie unicamente, porém o instinto de heroísmo que me fez crescer como um otário, ainda vive em mim, e um poder ideal seria aquele em que beneficiasse a todos os que preciso proteger e dar uma boa vida.

Chegando nesse pensamento, imaginei o que mais me vem aborrecendo ultimamente, e a conclusão veio instantaneamente após receber alguns vídeos pelo Whatsapp.

Ainda perambulam por aí, os vídeos de pessoas discutindo sobre a Fosfoetanolamina a tal “Pílula do Câncer”. Um moço gentil com óculos incrivelmente chamativos em seu belo carro começa a propagar um discurso em que solicita à população ações que possam impedir medidas de proibição da distribuição desta droga, ao qual ele chama carinhosamente de “Fossoetalonamina”. Segundo uma matéria do G1 a droga entraria no mercado como suplemento alimentar, e segundo o maluco dos óculos incandescentes a indústria farmacêutica não quer deixar que a cura para “O Câncer” seja distribuída mesmo como suplemento alimentar.

Pois bem, em 2016 o Dr. Dráuzio Varella e outros profissionais entraram em uma tentativa, que pelo visto não foi muito efetiva, de combater a bruta ignorância do povo Brasileiro. Dentro do contexto de “Povo Brasileiro” também entram os políticos que votaram a favor da droga ser distribuída forçadamente e sem os devidos estudos científicos. Neste vídeo ele tenta explicar:

 

Neste outro a ideia central veio mais como uma indignação pela ignorância dos nossos governantes.

 

 

O que o médico chamou de “Ignorância populista” é o que me aborrece ultimamente. Em várias áreas do mercado em que analisei encontro uma desvalorização das próprias ações. O sentimento é de que a ignorância não permite que uma pessoa cumpra com o combinado, ou que ela simplesmente nem saiba o quanto irá atingir um outro alguém. O “Jeitinho Brasileiro” me parece aquele sentimento de medo de atingir algo com um esforço maior. O medo de errar é tão grande que acabam errando para acertar mais rapidamente, para doer menos no seu lindo e solitário umbigo. O que me entristece é encontrar pessoas, como o nosso amigo dos óculos Jedi, que não se preocupam nem em ler uma matéria sobre o assunto.

As notícias circulam rapidamente como a luz, mas o que entra na cabeça das pessoas são os títulos e subtítulos sensacionalistas de outros profissionais que já funcionam no jeitinho brasileiro automaticamente. Vejo professores, enfermeiros e a porra toda, divulgando mentiras e falsas acusações sobre várias coisas apenas pelo gostinho de serem as pessoas que entregam o primeiro motivo de uma boa fofoca dentro dos grupos sociais. A veracidade dos fatos não importa, não importa nunca, como se a nossa vida, apesar de já possuirmos problemas suficientes para conviver, estivesse baseada em conspirações, ações de grupos que não me dizem o que estão fazendo.

Ora, se você não sabe o que está acontecendo é porque você não procurou saber. O curioso é que o mesmo que constrói uma teoria conspiradora é um dos únicos que sabe que o segredo que estão escondendo é o segredo que ele acaba de tentar revelar com seus dotes de detetive por instinto espiritual e telepatia. Um segredo capaz de destruir uma população inteira, estaria sendo revelado à ignorantes comuns que divulgariam em massa em suas redes sociais. Podemos também que os líderes malignos são mais burros do que os divulgadores.

Vários problemas seriam evitados apenas com uma boa informação, porém a mídia desinformada não se interessa em informar os já desinformados. Não sou eu quem vai dizer o que deve ser divulgado, mas ao menos poderíamos seguir uma certa linha de coerência. Eu discutia com meus sócios sobre a veracidade das falas vagas da empreendedora Bel Pesce após assistir um vídeo exposto na página inicial da BeDream Fund, o que posso dizer após um dossiê maravilho que o Izzy preparou? Nada, além de sorrir e tentar conter as palavras que quase saem automaticamente “Eu falei”.

Aqui na minha cidade, compartilho a vida com pessoas. Pessoas esquisitas que priorizam diversas coisas, menos o bom convívio com os que as circundam. Tomei diversas pedradas. Já fui chamado de ladrão por entregar alguns serviços para um cliente que não sabia usar o próprio aparelho que havia comprado e não queria aprender. Quando ouvi que o velho acreditava que eu fazia parte de um grupo de profissionais da área que o haviam enganado várias e várias vezes para conseguir o seu dinheiro, fiquei estupefato, pois o Sr. acreditou que eu faria o mesmo antes mesmo de saber que meu serviço seria barato. Tanto que quando esclareci tudo e provei o que dizia, o senhor ainda se espantou com o preço e me pagou alguns reais à mais pelo bom serviço. Esse foi um dos vários casos. Trabalhei para empresas mentirosas e usurpadoras, trabalhei com pessoas enganadoras e fingidas, ladrões em primeira mão, outros “sacaneadores” e alguns poucos interessantes honestos. O problema era que todos, literalmente todos, pensavam apenas em suas próprias vidas, nenhuma das ações poderiam ser planejadas sem beneficiar o planejador.

E o quanto menos alguém sabe mais se aproxima da conspiração. Como se o conhecimento fosse válido apenas para os momentos investigativos e cruciais das descobertas das teorias conspiratórias. E caso uma matéria apareça para esclarecer o que está acontecendo saiba que as pessoas envolvidas na informação serão xingadas e enviadas para inferno por mentirem para a população desinformada que, por achismo e pura imaginação, acreditam em absurdos.

Eu gostaria de possuir o superpoder de erradicar a ignorância, mesmo sabendo que sempre seremos ignorantes em algo antes de buscarmos a informação. Eu falo dessa ignorância que é incapaz de desaparecer, que busca inúmeras respostas imaginárias para se sustentar. É aquela ignorância que permite que o Brasil seja um país de poucos pensadores e muitos usurpadores. Que faz com que um amigo proteja um outro amigo que cometeu um crime ao invés de leva-lo para pagar pelos seus erros. Eu gostaria fielmente de erradicar esse tipo de ignorância, e não apenas a falta de saber, sei bem que nada sei (plagiando Sócrates) mas gostaria de fazer saber aquelas que não sabem que não sabem.

Na próxima postagem falarei sobre o caso de Goiânia, será um complemento à este texto sobre a ignorância. Até lá. Próxima postagem.

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