O almoço da morte3 min read

O decorrer do dia não estava na prancheta. Se eu fosse realmente planejar poderia colocar como primeiro item: “preservar a vida como ela é”; mas como eu não tenho o dom de planejar, prefiro seguir com o improviso. Para as pessoas eu digo que foi tudo como o esperado, nada como socializar, não é mesmo?

Se você sabe o que é ser pobre, já deve ter se cansado de comer a porra do arroz com feijão. Se você é um pobre fitness, come arroz branco com frango grelhado (quando o frango é cozido você chama de galinha guisada) se sentindo o chique, mas se você é um pobre fitness um pouco mais requintado, come um sanduíche na Subway pensando que fez uma bem a sua dieta emagrecedora. Eu sou o pobre fitness, mas que sabe da existência do dia do lixo, e dou esse nome para alguns dias da semana.

Hoje não foi diferente, o dia do lixo foi sendo criado pelo meu dom do improviso. Planejei assim que cheguei em frente à um self service com cheiro de churrasco. O almoço seria sem balança, por um preço que cabia na minha carteira tatuada com borboletas coloridas e a palavra vácuo em hebraico. O cheiro foi mais forte do que a dieta e tive que dizer para a consciência que ontem não foi o dia do lixo. Foi impressão dos meus olhos, e os hambúrgueres das 10h da noite com duplo queijo, havia sido um sonho. Por sorte a minha companhia mentia para si mesma sem mais delongas.

Entramos lá. A atendente com cara de alguma Jurema das novelas das 8 nos ofereceu o churrasco, mas nas opções de carne normais tinha lasanha. Parece que o pobre fitness come salada de batata com feijoada e lasanha para acompanhar. Se a morte tiver nome ela deve se chamar Mistureba com queijo, porque tudo com queijo fica bom. Mas se eu não misturasse eu não seria pobre. Então taquei um foda-se para os chefes italianos e franceses, que degustam cada detalhe de sua arte culinária e criei uma obra de arte em um prato raso. Com lasanha é claro; e batata frita.

Comi. Isso você já deve ter entendido, mas talvez ainda não tenha notado que eu comi demais. A minha escultura de comida era diferente do prato da esposa. Ela comeu menos por ser educada, não quis demonstrar o estereótipo de gordinha na frente da legião faminta que havia acabado de entrar. Como bastante, mas não morri, provavelmente pelo mesmo motivo da existência dos buracos negros, mas se você realmente quer morrer, repita uma montanha de comida com lasanha e some a um litro de Coca-Cola. Tenha certeza que este terá sido o seu último almoço, o almoço da morte.

Se for andar, não coma lasanha, como a vida não permite tal sacrifício, ande sempre com 3G e o uber instalado.

Curta e compartilhe!