Negligência e Exaustão3 min read

Negligência. É a única palavra que se encaixa no processo deste blog, atualmente. Estou praticamente sem aparecer por aqui por falta de motivação. Eu não diria motivação, porque na verdade eu tenho os motivos para não desistir, acho melhor chamar isso de tristeza, ou incômodo (coisas passageiras). Várias coisas me incomodam. E nada melhor do que falar sobre isso para sair do bloqueio criativo. Pois então vamos ao drama.

Primeiramente quero lhe situar no que eu faço. Eu sou diretor geral de uma agência de marketing digital, ao qual assumo diversas funções. Sou escritor e por isso escrevo livros normalmente e mantenho esse, e outros blogs. Sou professor em um projeto educacional, dou aulas particulares nas residências por aí, e dou aula de informática numa igreja católica aqui perto.

Esse tanto de coisas pra fazer requer um enorme autocontrole, e esse autocontrole só é sustentado pela motivação geral que me faz levantar todos os dias e trabalhar sorridente. Mas ultimamente as dificuldades em alcançar certos objetivos tem me prejudicado bastante, me levando até a ficar triste, coisa que não é de meu feitio. Essa tristeza acaba distanciando os motivos que tenho de fazer algo. E por aí vou negligenciando todos os projetos. Chamam isso de pouca produtividade.

Olho para dentro de casa e sofro com os erros do pedreiro. Olho para a rua e vejo mais trabalhos mal feitos. Vizinhos sem respeito, palavras malditas ou ditas fora de hora. Pessoas que se preocupam com seu próprio gosto, que desenvolvem esse egoísmo como mecanismo de defesa contra os que já o possuem. O ciclo não tem fim, e eu faço parte deste ciclo. Vejo as notícias nos jornais, os livros mais vendidos no Brasil, as prioridades e as pessoas com pouco o que dizer ou quase nada o que dizer, chegando a níveis financeiros enormes.

A competitividade destrutiva. O ódio ideológico. O pensamento centralizador. O preconceito. A ignorância. Servem para me destruir. Minha mente gira buscando uma solução pra tudo isso, mas o ser humano é mais podre do que parece ser. Imagino que você ao ler este texto pense diferente ou repetirá esse clichê de um alguém revoltado com seu próprio fracasso, mas, na verdade, eu sou o errado, tentando me incluir numa sociedade que funciona diferente de minha cabeça – isso é o que diriam os conservadores, que a maioria engole todos os outros.

Vejo notícias constantes que expressam um sensacionalismo exageradíssimo. Pessoas que julgam por segundos de apresentação. Falsas acusações por todos os lados e crimes verdadeiros por cima. As pessoas da rua seguem inalando o seu odor fétido acentuado e assim esquecem que existem outros odores, iguais e diferentes, doces e suaves… A mentira se encaixa como uma armadura perfeita, mecanismo de defesa, mecanismo de soberba, mecanismo para denegrir a intelectualidade.

E eu sigo no meio de tudo, olhando para o lado tentando evitar que o meu odor seja inalado por quem não queira, tentando me espremer por caminhos estreitos para não incomodar a feliz caminhada do amigo ao lado. E na verdade, sem conseguir saber no que devo me classificar, do lado dos maus, do lado dos bons, ou do lado dos que não tentam “binarizar” o mundo inteiro aceitando a subjetividade.

Pelo menos, estou de volta por aqui.

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