(não) Vir.1 min read

Ela respirou fundo.

Se engasgou por todo o mundo.

Viajou do mar sincero ao mais profundo.

Conspirou para se entender e derrubou seu eu vagabundo.

 

Buscou novos limites ao ultrapassar o mundo.

Encontrou mais conforto em um planeta submundo.

Entendeu que seu ser de lá não era oriundo.

Viu mais do que muitos e avançou por um fio em um microssegundo.

 

Recuou por um tempo,

Procurou passatempo,

Perdeu seu alento,

Até aque assumiu seu lamento.

 

Respirou mais um tanto.

Enxugou outros prantos

Confrontou outros cantos.

E avançou uns minutos.

 

Retornou por querer.

Renovou o seu ser

Reformou o viver

E alcançou o que quis.

 

Mudou tudo o que era

Também pudera,

Vivia escondida, reprimida, amedrontada.

O que sobrou virou fera.

 

Mas de longe ele veio,

Confiou,

acreditou,

contracenou,

e fez o pedido.

 

Não!

Respondeu a fera,

Se desequilibrou com um sorriso,

Se assustou com o tremor impreciso,

Mas cedeu aos encantos do improviso.

 

Houve mais um espanto.

Ele sentou-se ao lado, por enquanto.

Não era nenhum santo.

Sabia o que queria.

 

Ela foi cedendo.

Aos poucos se envolvendo,

Queria devolver,

Mas ele não queria receber.

 

E nessa insistência

Não houve resistência.

A devolução servia para entrar em contato.

Isso ja era fato.

 

Quando não podia mais desistir,

Assumiu que deveria persistir,

Aceitou de bom grado o item entregue,

Mas exclamou para todos com o grito que consegue.

 

Dez anos depois ele fez novo pedido.

Ele nunca esteve perdido.

Mas já esteve sem ar.

Se enganou por um tempo,

Conquistou outros ventos.

Enquanto a teve como presente,

Mesmo quando ausente,

Mesmo quando demente,

Sempre a quis amar.

Curta e compartilhe!