Falta maturidade ou é excesso de vaidade?3 min read

O dia estava lindo, era sábado. O sol esclareceu os motivos de várias famílias estarem andando com roupas de banho pelas ruas, mulheres de biquínis por dentro de vestido curtos ou shorts, o laço da peça de baixo ficava completamente visível. Os homens andavam de regata e chinelos coloridos, se estivessem mais caracterizados a praia viria até eles. As crianças com seus brinquedos e roupas, parcialmente, iguais andavam sorridentes por entre as ruas, algumas possuíam autonomia de andarem soltas e outras seguravam na roupa da mãe com os braços esticados praticamente sendo arrastados pelo andar pesado das matriarcas.

Eu, apenas observava, não tinha o interesse de marcar o meu corpo para ninguém, muito menos de festejar um feriado religioso com bebidas alcoólicas e descompromisso. No entanto o observar tinha um quê de satisfação. Era como se o fato se confirmar estereótipos fosse um troféu, uma recompensa por pensar demais.

Minha cadeira de plástico branca me dizia para ir andar, as dores do desconforto já me consumiam as costas. Mas era uma manhã linda que expressava um tom artístico em seu interior, nas cores resplandecentes que figuravam meus motivos de estar ali, sentado entre a noite e o dia.

Depois de vislumbrar confirmações e nostalgias um pensamento me veio à tona: de que serve a satisfação? Ora, se for para satisfazer-me não entendo qual o questionamento, porém os rostos dos que caminhavam em busca dela não simbolizavam um bem-estar próprio. A verdade é que as crianças iam sem saber o que iriam encontrar, portanto, não tinham o que satisfazer. As mulheres andavam com a cara amassada de um ódio bobo por qualquer mísero problema que encontrou antes de sair de casa. Os homens pareciam aceitar o passeio pelo simples fato de terem sido obrigados a ir.

Eu me pergunto se a insistência no passeio iria satisfazer alguém. Além do ego de quem iniciou, não encontro o que satisfazer, talvez o poder de bater selfies felizes em plena luz do sol, ou de marcar o corpo com o bronze da pele ao redor do traje. Talvez o passeio em família, talvez o sentimento de harmonia que a ideia pode ter gerado. Mas a desistência diante da falha é inadmissível – vamos todos assim mesmo, ninguém vai fazer o que quiser.

Falta maturidade para assumir que o padrão já não é tão interessante assim? Falta competência para entender que a satisfação precisa satisfazer algo e não é uma palavra dita erroneamente?

Parece que o que falta é o bom senso de entender que quando envolve pessoas, a concordância entre as ações precisa existir. Eu não faço o que eu quero quando acompanho alguém, pois para que haja uma satisfação mútua, é preciso uma combinação forte. De que vale uma tentativa de felicidade egoísta em um grupo de infelizes?

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