Espiritismo, conheça para não criticar4 min read

Fui acordado pela vibração do celular quando recebi uma mensagem. Minha irmã me explicava que a minha avó estava passando mal e queria fazer um passeio na emergência de uma policlínica. Tive que dar aqueles pulos sem questionar o fato de ninguém ter levado, mesmo estando ao lado da senhorinha, que fazia charme para ter mais atenção. Nos pulos fui participar do passeio.

Sentei-me em um banco na emergência, e observei um homem de feições velhas e olhar cansado caminhando de um lado para outro da sala de espera. A forma como deixava o tempo passar demonstrava sua impaciência. Ele também exibia sua camisa branca encardida com uma mensagem forte nas costas: “Espiritismo, conheça para não criticar”. Essa frase tomou o meu tempo – tempo este que estava sendo desperdiçado pela espera de um remédio na farmácia da emergência pública. A frase já deixava bem claro sua intenção: “Não quero receber críticas negativas, por favor se cale”.

A palavra “crítica” não pode ser sinônimo de , não quer dizer xingamentos, não quer dizer que organizações secretas se colocam à disposição para atacar a religião antes mesmo de saber seus motivos. Você pode receber críticas, aliás no momento em que alguém começar a conhecer o espiritismos sua crítica poderá mudar de negativa para positiva, mas a pessoa terá que parar de falar porque se lembrará da frase que o mandava não criticar. Por outro lado a frase parece ser um tiro na cara religiosos preconceituosos que criam nas suas histórias da carochinha uma ideia maligna em toda a religião que seja diferente da sua, inclusive entre eles. Então poderíamos interpretar a frase com a seguinte intenção: “por favor, não nos critique negativamente antes de nos conhecer, ok religiosos?”. Ainda assim não me parece uma boa frase para sair por aí exibindo em camisetas, mas existe uma frase que poderia ser mais interessante e me faria pensar positivamente  no assunto: “Espiritismo, não julgue antes de conhecer, respeite as diferenças.”  e no final valeria um “#digaNãoAIntoleranciaReligiosa”.

O conceito de defesa atual, não consiste em defesa, parece mais um ataque escondido. O grupo precisa se defender de algum jeito, poderia olhar para o fundo do problema e imaginar como resolver de forma coletiva, porém ele cria uma ideia de que a sua defesa importa mais do que a do grupo semelhante ao lado. Se a sua religião sofre de intolerância religiosa porque diabos você acha que vai resolver diminuindo os olhares para o seu lado? O pensamento preconceituoso precede uma falsa razão, onde o indivíduo geralmente acredita que possui conhecimento sobre o fato e as suas razões são simples e corretas, não existe forma de mudar de opinião. Eu, particularmente, sempre que vejo um ato intolerante me recuso ao silêncio, e tento fazer com que a pessoa olhe para o seu próprio umbigo, apenas invertendo os papéis.

Como por exemplo no dia que presenciei dois Elders, tentando induzir uma senhora a deixar seus costumes de uma vida inteira porque, na mente deles, eram mentirosos e não faziam sentido nenhum. Os argumentos foram sempre os mesmos, com embasamentos malucos e certezas vindas do além. Nenhuma prova, nenhum conceito aplicável, apenas a mesma ladainha que todos utilizam “a fé”. Como aquela senhora poderia saber se estavam falando a verdade se ela também tinha fé em sua religião? Se o detalhe que falta para encontrar a verdade for a fé, então todas as religiões estão corretas. Ajudei a velhinha com esses questionamentos e os caras se mandaram.

Então me parece que a luta religiosa pela intolerância religiosa, é apenas contra a intolerância à sua religião. Os cristãos evangélicos querem o fim da cristofobia, mas não querem o fim das pregações contra os terreiros. Os católicos querem o fim da injuria sobre seus santos e o seu sistema político clerical, mas não param de diminuir os pastores sempre que podem. No fim das contas a intolerância só poderá ser combatida depois que as religiões entenderem que fazem parte do mesmo grupo.

“Não critique minha religião, antes de conhecê-la.”.

Uma frase para uma campanha única; englobando o grupo “religioso” dentro da solução.

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