Como gostar do Natal3 min read

Aaaaaaaaah, o natal!

Uma data especial onde todas as pessoas adorariam ganhar o presente de se tornar comerciante. Uma festa com vários significados, desde o nascimento do menino Jesus até as loucuras do papa Nicolau, das penduradas bolinhas coloridas até o saco do papai Noel da coca-cola. Não há nada mais legal do que o natal.

Se você compartilha dessa visão, pensa diferente de mim. Eu não gosto do Natal, pelo menos não do Natal da mídia, dos mercados e das boas ações de um mês só. Para mim a falsidade natalina obriga um isolamento instantâneo, que me permite evitar fazer parte do pensamento fútil de querer parecer alguém diferente do que sou.

As pessoas esperam que você se sinta mais amigável, solidário e que deseje um feliz natal para todas as almas que vagarem pelo seu caminho. Alguns fazem doações natalinas, outros criam projetos de Natal sem fome e disponibilizam cestas básicas com pão de ló em formato de cesta de natal. Aliás, tudo parece ganhar o sufixo “de Natal”. É cesta de natal, carro de natal, roupa de natal, comida de natal, Natal de natal, e para os que possuem estômago fraco, diarreia de natal.

Acho uma festa não original. Estou em Recife, lugar quente pra caralho. Caminho ao meio dia e ganho bronzeado no pé. Os pés de minha cônjuge ficam parecendo que passaram por uma sessão de pintura corporal. Se ela andar descalça ninguém irá reparar, o seu chinelo se fixou na cor nude. Melhor do que tatuagens de chicletes. Aqui não tem neve, se um dia pensou em ter definitivamente o demônio não deixou, abriu logo os portões do inferno e ganhou a guerra com seu exército flamejante. Inclusive acredito que esse acontecimento se repete uma vez por ano, às vezes em fevereiro, às vezes em março. O ano sempre começa depois da batalha.

Pois se nesse calor crescessem pinheiros e ficassem, verdadeiramente, cobertos de neve acredito que algo estaria redondamente errado. Mas chego numa loja qualquer e me deparo com pinheiros de plásticos enfeitados com pigmentos de tinta branca, simulando a neve. As pessoas compram. Ignoram o fato de que as flores de plástico existem para simular uma flor verdadeira e enfeitar o local sem que o visitante perceba, mas um pinheiro com neve no calor de quem mora na beira das portas do inferno, não consegue enganar ninguém. Ainda por cima dentro de casa em um terraço que simula uma lata de sardinha.

As luzes fazem sentido. Para não ser chato demais eu posso fingir gostar das luzes, porque é algo diferente e elegante no meio da noite, principalmente quando usam árvores de verdade. É tudo bem interessante, menos a bandeira vermelha das contas de energia elétrica.

Mas apesar da falsidade, das ajudas de um mês só, e da solidariedade de dois dias, acredito numa forma de gostar do Natal, caso você se identifique com meus pensamentos introvertidos e quase antissociais. Você precisa transformar as datas comemorativas em momentos únicos para você e para as pessoas que gosta. Não utilize de conceitos antigos e tradições mal explicadas para desagradar o seu dia, pense no que gostaria de fazer.

Eu por aqui, vou me trancar em casa com a família e comer tudo o que tiver na geladeira. Vou ter que seguir a lista de brincadeiras que minha filha criou. Brincar de amigo gordinho e comer mais um pouco. Sorrir e ser solidário com quem sou durante todo o ano, vou fazer da data um momento mais tranquilo e que eu possa repetir sempre que eu quiser. Ignorando preconceitos e loucuras externas, para adaptar o Natal para o que realmente importa, ser feliz sem olhar para trás.

Essa é a única forma que conheço para gostar de uma data comemorativa, o resto se for obrigatório, deixo para as pessoas que cobram demais e vivem menos.

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