Até onde podemos chegar?5 min read

Uma professora um dia me disse: “Temos que ter um objetivo possível em mente, só após conquista-lo é que podemos pensar em sair alguns centímetros do chão”. O problema desse pensamento é a subjetividade. O que você acha que é possível para você? Eu particularmente tenho alguns objetivos e, para falar a verdade, ultimamente não tenho muita certeza do que irei conquistar primeiro, ou seja, não sei mais o que é possível. É normal pensarmos alto demais quando a imaturidade é tudo que nos resta, mas ao analisar a vida, as pessoas, nossas ações, as vezes conseguimos enxergar o quão distante nós estamos do topo.

O topo a que me refiro, não passa do final do seu objetivo atual, do momento em que você saberá dizer eu consegui. Explico isso porque já ouvi muitas pessoas dizendo que o topo é a riqueza ou a fama. Claro que se seu objetivo geral for baseado nessas ideias, o seu topo é de fato o que dizem por aí, mas se não for, o topo é o que você quer atingir no momento.

Várias ações devem ser iniciadas para que um objetivo seja alcançado, o problema de tudo isso é entender quais caminhos devemos tomar. Essa decisão não será certeira, terá de ser moldada para a correta após alguns erros. Isso me soa como se a vida fosse algo pronto para lapidarmos, mas ao mesmo tempo lembro que não depende só de nós. A falta de dinheiro, a crise econômica no país, os desempregados, os vizinhos barulhentos, a escola doutrinária, a polarização… tudo isso irá atingir os seus objetivos, infelizmente. Claro que o que eu escrevo agora não passa de um certo desabafo mascarado em uma tentativa de te fazer pensar. Talvez o seu problema não seja esse, talvez você não receba nenhuma pancada das mudanças ao seu redor, talvez o seu objetivo esteja próximo e seja mais fácil de alcançar. Mas pela minha ótica isso faz sentido.

E deve ser esse o sentido do conselho da professora. Escolher objetivos fáceis de se alcançar para nos livrarmos do peso e das dificuldades dos objetivos mais complexos nos deixando aquele gostinho de dever cumprido. Com o simples alcançado podemos traçar um novo, e depois mais um, e por aí caminhar devagar para o final. Eu não consigo aderir a essa ideia tão facilmente, penso que seja a minha mente ignorante que quer continuar a persistir no caminho mais longo e não se saciar com o que é breve. Talvez eu tenha medo do acomodo.

Recebi uma imagem, um dia desses, que dizia: “Estude, enquanto eles dormem. Trabalhe, enquanto eles se divertem. Lute, enquanto eles descansam. Depois viva o que eles sempre sonharam.”. Uma amiga questionou dizendo que houve um tempo em que acreditou nessa ideia fielmente, mas viu que a vida foi passando e os que não estudaram como ela, e os que não trabalharam como ela, estavam a receber mais privilégios sem esforços constantes. Eu também chego nesse questionamento em momentos de reprovação, mas caio na tendência de culpar a cultura em que vivo, que se baseia em um entendimento individual onde a sociedade não importa quando o seu umbigo está bem enfeitado.

Vi em minha curta trajetória de vida, o que eu chamo de Cidadão ironicamente. Vi, pessoas reclamarem por perder um aparelho de celular para um boy qualquer e um dia após o ocorrido roubar lanches de uma distribuidora de alimentos. Vi pessoas detratarem outras pelo simples fato de enxergarem os mesmos problemas internos que possuem. Vi pessoas em causas sociais para criar uma boa imagem através de ações superficiais. Vi também um centro comunitário roubar dos necessitados, doações e privilégios conquistados para a comunidade. Vi professores lutarem por mais dinheiro e não lutarem por 1 único aluno melhor. Vi pessoas invadirem uma creche e nomearem a invasão “Ocupação coração de mãe”. Vi pessoas protestarem por passagens de ônibus mais baratas, essas destruíram ônibus nas ruas em busca da exposição de sua revolta. Vi a polarização dizer que o vermelho faz mal e que a coxinha também. Vi várias coisas, e muitas podem ter me indignado por já estar revoltado, mas a cada segundo que aqui vivo quero culpar os que me circundam pela falta de educação, ou o governo pelo mesmo problema. Mas o que completa esse país não é a classe A ou a C, é o conjunto de todos, e se algo está errado a raiz deve ser encontrada.

Essas visões e interpretações que tenho, observo através da ótica de minha moral, que no jeitinho brasileiro é prejudicada por pensar em algo a mais. Recebi alguns conselhos também, daqueles que me trazem para a realidade. Um deles dizia claramente “Vejo que você se importa mais com seus motivos, mas você deve pensar no dinheiro primeiramente[…] Pense mais em você e esqueça as outras pessoas…”. Esse tipo de questão implica em nossa visão de mundo, devo mudar minha visão para sobreviver nesse mar de ignorância? Ou devo aplicar algum elemento para secar esse mar?

Nosso objetivo está diretamente ligado a vida que vale a pena para nós. A vida que nos deixe fazer da penalidade um ingrediente para a evolução. O que você quer ser? Quem você é? Até onde pretende chegar? Essas questões não dizem nada sobre a realidade, as respostas podem mudar de acordo com o momento em que as perguntas forem feitas. Acho que devemos dar um toque de realidade nessas perguntas:

O que você, acha que quer ser?

O que você realmente quer ser?

Quem você é para você?

Quem você é para os outros?

Até onde você pode chegar?

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