A ironia do amor ao próximo3 min read

Algumas pessoas pensam no bom convívio entre familiares e amigos. Claro que pensam, é só eu dar alguns exemplos reais. Como aquela vez em que uma parente entregou dinheiro à igreja esperando receber uma cesta básica no final do mês. Ou aquela vez em que um outro parente foi gentilmente trabalhar em um dia de folga esperando receber o pagamento deste dia com uma folga junto a um feriadão. Ou daquela vez em que uma certa sogra recolheu o aluguel da filha fingindo amar para os vizinhos, esperando aumentar o valor anualmente como todo inquilino comum.

Viu como todos são amáveis? Ainda nem contei sobre aqueles que se tornam voluntários em uma ação social, apenas para poderem guardar fotos e publicar com enormes textos de gratidão sobre o quanto o projeto foi perfeito para eles. Esquecendo enfim que o projeto deveria ser perfeito para os necessitados. E ainda por cima contamos os enormes sorrisos retirados por esses amigos da sociedade quando retratam suas ajudas superficiais. Como você pode ver, a maioria das pessoas pensam no próximo.

Mas esse tipo de pensamento, de amor ao seu irmão só aparece quando tem alguém olhando, porque por trás, em sua intimidade, os mesmos sabem o quanto não se importam com o que fazem para os outros e sim com o que fazem para si. A sua consciência precisa se conformar e só reclamar das pobrezas não é o suficiente, a pessoa precisa agir, e chegar em ambientes mais pobres tratando todos como pessoas diferentes e completamente inferiores. Não que isso seja generalizado, obviamente.

A crítica que aqui faço, na verdade não é uma crítica ruim. Se você parar para analisar com cuidado, a maioria é assim, solidária e amigável quando a imagem precisa ser preservada. Os que são diferentes é que precisam da crítica ruim, pois eles são os que agem com divergência. Os diferentes estão às margens e eles é que precisam mudar para se adaptar ao pensamento egoísta travestido de solidariedade.

– Mas aqui na igreja o amor que eu tenho sobre os necessitados é que me faz trabalhar dia após dia sobre o sol escaldante para ajudar. – Você me diria.

– OK, tudo bem, eu acredito em você. Mas quero que pense o que realmente importa. Dizer para todos o que você faz, sorrir para fotos, ou simplesmente ajudar já é o suficiente?

– Mas você está sendo injusto. Eu gasto bastante tempo da minha vida ajudando os outros, não é que eu queira me mostrar a ninguém, é que eles precisam de mim.

– Tudo bem, acredito em você. Então façamos um teste, se não houver uma troca de olhares externos sobre suas ações, você ainda continuará trabalhando? Ou melhor, se o seu trabalho se tornar anônimo, você continuará trabalhando?

– Claro que sim.

– Então parabéns, você sabe o que faz.

Espero não entrar no seu Facebook e encontrar textos se impondo a um agradecimento como: – Estou muito grato (a) em participar de tudo isso, agradeço aos necessitados pela oportunidade em ajudar…

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