A ignorância passa-tempo3 min read

Na tela do meu computador os textos atrativos dominam as buscas e todo o conteúdo. As imagens pensadas para lhe atrair com falsas sensações de esperança também brotam a cada clique. E eu analiso a tela do meu computador e vejo que posso caminhar por uma estrada em que os objetivos são insignificantes, como se o tempo fosse eterno e eu pudesse deixar tudo para amanhã.

Textos fáceis, falta de vontade, explicações chulas, momentos engraçados, notícias falsas, ódio gratuito, pensamentos sem graça… Esse mar de informações aparentes está se tornando um mar fedido, de porcarias e, sobretudo, interesses financeiros e/ou mentes famintas por atenção. Uma louca grita sobre a cor do filho de outros loucos que rebatem com soberba, gritando de volta. Uma briga sem fim para os curiosos e amantes das tretas e das tragédias que podem entreter.

Um amigo pode muito bem emburrecer pelo conteúdo consumido. Uma tentativa de se autopromover, de se engrandecer de forma errada, recebendo conteúdos fáceis e de nenhuma interpretação, a vida se torna algo prático e o momento exato para pensar nada mais é do que o estender de braços para receber a bandeja cordial da frase pronta. Como se o conhecimento não necessitasse do pensar, como se tudo pudesse ser jogado de qualquer jeito.

São 2h da manhã, vejo que ainda não pensei em dormir, mas também não obtive sucesso ao engrandecer a minha alma intelectual por hoje, tendo em vista que o que quero realmente fazer é me divertir quando o momento for propício para isso. Dito isso posso tentar esclarecer a crítica nos parágrafos acima. Não julgo a forma de se entreter, mas julgo a mudança de objetivos, como se o viver se valesse apenas pelos sorrisos durante o consumo de qualquer merda que aparecer na frente. Quero dizer ainda que o pensar, o questionar, e o deliberar se resumem em cascalhos de ideias já entregues para você vestir a sua camisa predileta. Entre duas opiniões você escolherá a que mais lhe servir como garantia de socialização.

Nesse caso ao jogar uma ideia para uma classe de adolescentes de escola pública, a síndrome do não fazer nada atinge até o professor. Os alunos se comportam como se fossem maduros demais para conversar sobre a adolescência, mas ao mesmo tempo infantis demais para deliberar sobre assuntos importantes, tendo em vista que uma discussão política ou ética não faria nenhum sentido na mente dos “adultos” atuais. Sim porque o pai ouve frases prontas no ponto de ônibus e percebe que ao repeti-las o sentimento de pertencimento ao grupo também surge com clareza, então ele reclama do governo, dos impostos, dos corruptos, mas ao olhar para trás esconde do farmacêutico o troco passado errado. O filho recebe isso como maturidade. A mãe se relaciona bem com histórias do cotidiano, mas não com histórias que resolvam o problema, e sim com histórias repetitivas de um Juvenal que casa com uma deficiente, ou de uma vilã que é muito rica para viver uma vida pobre e assim destrói todos ao redor passando por cima da lei corriqueiramente.

Os alunos sabem como se comportar, sabem quais os conteúdos que lhes interessam, e nada mais importa. De um modo que em uma aula de informática o uso de um data-show se torna insuficiente, porque os alunos se imaginam como pessoas lesadas que não receberam o seu alimento matinal. Eles querem mexer no computador, para fazer porra nenhuma, para não aprender absolutamente nada. Para apenas passar o tempo com o seu famoso jeito de resolver os problemas diários. A dor da estupidez é a ignorância passatempo.

Curta e compartilhe!