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Resenha, não tão resenha, do filme Bokeh

Carlos Hallan   -   06/07/2017

Uma vida conturbada cheia de atividades poderia explicar a minha negligência quanto a este blog. O intuito de escrever diariamente nunca me foi alcançado quando tento resumir isto aqui. Mas o fato é que eu não escrevo apenas para este blog, além dos outros trabalhos como redator web, também me aventuro nas apostilas dos cursos que ministro e os novos projetos que vão surgindo rapidamente. Portanto, ainda estou conseguindo escrever com certa frequência, mas sem publicar por aqui.

Venho hoje com aquele humor sem graça que minha mãe me concedeu geneticamente ao transar com meu pai. Nesta resenha (não tão resenha), eu não vou contar como foi a minha ida ao cinema, nem muito menos como os outros espectadores se comportaram em busca de sua cadeira. Não que eu tenha evoluído para um nível sem a fofoca, mas desta vez eu fiz uso de uma droga – O viciante Netflix. Este aplicativo que comunga as trevas com o demônio, nos consome por algumas horas e é dele nossa atenção soberana.

Nem saí de casa. Vestido como Adão, no jardim, sentindo aquele vento frio refrescar as partes intimas e trocando fluidos corporais com os lençóis da cama, comecei a assistir o bendito filme acompanhado da esposa com um fogo que não devo comentar. Alguns salgadinhos e refrigerante pra acompanhar. E começou.

A sinopse dizia algo que eu não quis saber. O título não dizia porra nenhuma, pelo menos pra mim antes de pesquisar no Google. O Wikipédia me deu, após o filme, a seguinte definição:

Bokeh (do japonês boke ぼけ, "blur") é um termo usado na fotografia referente às áreas fora de foco e distorcidas, produzidas por lentes fotográficas. Diferentes bokehs de lentes produzem efeitos estéticos separados em fundos desfocados, os quais são freqüentemente utilizados para reduzir distrações e enfatizar o assunto primário.

A trilha sonora estava excelente, emocionante, e a chuva que caia naquela noite amplificava qualquer sensação de prazer. A trama começou com uma vivência comum entre o casal que visitava a Islândia, eles tinham planos para passar cinco dias no local e nada mais. Como todo filme de drama, esses detalhes ficam na cara para justificar o desequilíbrio dos personagens. Depois o casal acorda e sai para caminhar notando que a cidade estava completamente vazia. Apenas algumas horas depois é que eles começaram a imaginar as possibilidades, deduziram que estavam sozinhos. Todas as pessoas da terra haviam sumido. O mundo era deles.

E é aqui que a resenha se faz menos resenha ainda. É aqui que eu começo a me colocar no lugar dos personagens. Quero também perguntar a você, o que você faria se estivesse com a pessoa amada em um mundo vazio?

Quando penso nisso consigo me ver tranquilo e feliz por alguns dias. Após isso não adiantaria estar sozinho sem ter como se realizar profissionalmente. Acredito na felicidade de Aristóteles, e um pouco na felicidade de Jesus. Mas não acredito na felicidade do entretenimento.

Observo atualmente que muitos jovens entram em um processo constante de divertimento. A procura de nada. Do passar do tempo. Da explicação de sua inutilidade. Lembro-me de seguir assim pela adolescência, não conseguia explicar o vazio sentia, e muito menos conseguia preenchê-lo com aqueles pequenos momentos de divertimento. Notei que essa busca pelo descanso constante nunca me deixou melhor, pelo contrário, no final de tudo eu me sentia chateado, cansado.

Ao amadurecer um pouco entendi que o que realmente reduzia esse vazio, era o fato de aprender. A realização pelo ato de saber mais. Ensinar as pessoas fez parte desse contexto, apresentar uma ideia, a resolução de um questionamento. E a busca pelo divertimento desapareceu, uma vez que comecei a me divertir de verdade no trabalho que fazia. E que faço.

Em um mundo sem pessoas para me ouvir, eu duraria bem por poucos meses, um, talvez. Diferente de quando eu era um adolescente que vive por uns 16 anos sem ter o que fazer. Nesse contexto a minha existência se faz necessária quando eu me sinto útil em algum momento.

No filme, o casal sofreu com problemas voltados a ideia de existência. Riley, era um cara de bem com a vida que tinha um pensamento mais amplo sobre sua existência, já Jenai, sua namorada, não tinha este mesmo entendimento inclusive entendeu o fato como um castigo, e não um acontecimento aleatório. Com o pouco que conseguiram observar em uma única ilha ela se sentiu abandonada por Deus, como se sua existência dependesse da aceitação do ser imaginário. Na minha opinião essa dependência acabou retirando dela o sentido de viver. Se não existisse a ideia da punição na mente de Jenai, provavelmente ela conseguiria lidar com mais firmeza.

E você, busca uma vida divertida ou uma vida realizada? Tendo em vista que a realização diverte quando o esforço começa a compensar.

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