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Qual é o preço da felicidade?

Carlos Hallan   -   13, Outubro de 2017

Seria possível mensurar o nível de felicidade de alguém? Já sabemos que não podemos classificar a felicidade, exatamente como algo a ser alcançado. Devemos pensar nela como um fragmento de sentimento agradável que surge aos poucos em alguns momentos diferentes. Não se pode alcançar a felicidade por muito tempo. Quero dizer que não somos felizes, e sim estamos felizes. Isso não é difícil de observar. Ainda mais quando conversamos sobre o que poderia nos fazer feliz.

Um alguém optaria por um pudim de leite qualquer, ou um passeio, ou estar perto de certa pessoa. O pudim é finito e, mesmo que não fosse, você enjoaria rápido. O passeio também é finito, e mesmo que não fosse, a conquista serviria como final de objetivo, precisando de um novo passeio para preservar o sentimento. O alguém faz cocô, e vomita, e fede como qualquer ser vivo animado. Nem sempre esta pessoa será a ideal.

Então ficou claro assim. Felicidade não é um pedaço de terra que você poderá morar no auge de sua vida. Mas e aí? Qual o preço desse negócio? O sentido da vida estaria na busca por esses fragmentos de felicidades? No livro “A vida que vale a pena ser vivida” de Clóvis de Barros Filho, ficou claro que a vida ideal não existe como modelo, é você quem faz.

Eu ainda me arriscaria a dizer que o preço a ser pago é uma questão de custo do que te torna feliz. Se for aquele pudim, teremos que adicionar aí o fato de andar até a lanchonete mais próxima ou de comprar os materiais para cozinhar. O tamanho do pudim será levado em consideração, mas estaríamos falando mais de valores em dinheiro. Já quando pensamos em investir em um relacionamento, não falaremos apenas de dinheiro. O tempo, o desgaste psicológico, a aceitação das diferenças e as duras brigas farão um enorme peso, e o peso terá que ser compensado com as poucas horas felizes do dia.

Já ouvi dizer que Jesus queria que a felicidade se valesse por fazer o próximo feliz. Assim você só precisaria estar preocupado com os sentimentos e gostos do outro, porém isso não elevaria o autoconhecimento como conceito primordial, apesar de eu entender e acreditar que após esse conhecimento alcançado, fica difícil não pensar no próximo.

No momento em que sua consciência se torna capaz de entender as suas próprias intenções, você automaticamente, se torna um observador de pessoas. Isso porque agora você sabe um pouco sobre os sentimentos possíveis do amigo, e geralmente você começa a compartilhar o que te faz feliz. Nesse contexto a ideia de Jesus faria sentido para mim, mas não no contexto da sociedade em que vivo. O ajudar é superficial, se resume a uma foto feliz em uma mídia social.

Talvez o preço final da felicidade, seja o esforço gasto em cada caminho seguido. Precisamos de mais momentos felizes.