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Como sair do bloqueio criativo?

Carlos Hallan   -   04, Agosto de 2017

Quando eu era jovem (ainda tenho 24 anos, mas com o nível de responsabilidade e o tamanho da barriga, alguns diriam 35) estive em um processo de adaptação com a escrita. Eu tinha a vontade de me tornar escritor e por isso tinha de escrever todos os dias, e ler todos os dias. Após um certo tempo colocando no papel diversas bobagens, eu me vi olhando para o editor de texto do meu notebook sem conseguir escrever uma palavra. E o que eu tinha que fazer?

Tive de correr para a internet. Alguns diziam que bastava tentar, outros atribuiam à doença. Eu, por um lado, já vivia de aluguel e tinha meus dezoito anos de idade, provavelmente a quantidade de problemas que me cercava era motivo suficiente para justificar essa tal falta de criatividade. Então pensei por mais alguns minutos sobre o que escrever e cheguei a uma conclusão. Eu já tinha algo para dizer, mas não queria enxergar.

Comecei a pensar no que me dava inspiração, no que me fazia escrever e em todos os momentos que tive de falar sobre alguma coisa. Vi que não era dificil de entender, já que era só ter alguma coisa pra contar, algum problema pra resolver ou comentar, um questionamento qualquer. E foi ai que o texto “O que escrever se nada vem à cabeça” surgiu (outro dia posto por aqui).

Perceba que o assunto que eu tinha em mente era exatamente o assunto que estava a me corroer pelo fato de não conseguir prosseguir com uma atividade, mas entendendo a criatividade como resolução de problema, eis o seu mas puro funcionamento. Escrevi sobre o fato de não ter o que escrever, criando um paradoxo, mostrando que, na verdade, eu tinha o que escrever. No texto eu comentei que o fato de eu ser dono e criador daquela obra me deu a liberdade de escrever sobre ela mesma como se a estivesse escrevendo por não ter o que escrever.

Seria simples assim o tempo todo? Essa ideia de problema funciona em todos os temas?

Obviamente que apartir do momento em que eu tenha um livro de um romance medieval pra escrever, não poderei acrescentar essas palavras ao texto, mas o que vale aqui é a forma de pensar. Eu tinha algo para dizer, mas não queria dizer. Eu queria expressar outra coisa, algo mais elaborado, diferente. E isso não funciona com a criatividade. O problema precisará ser resolvido, quaisquer palavras que forem impressas naquele papel podem servir como start para uma discussão. Tendo em vista que o Deus da sua história é você mesmo. Você poderá alterar quantas vezes quiser e por isso eu notei que, escrever é a melhor opção.

Agora você deve imaginar “se eu estou com bloqueio criativo, como irei escrever alguma coisa?”. Não quero que escreva um best-seller em um processo desses, mas quero que comece relendo o planejamento, o seu capítulo anterior… finja que é o personagem, finja que é um leitor, imagine diálogos, entrevistas. Quais os motivos de escrever aquela parte do livro? Tendo isso em mente, o restante aparecerá comumente. E se não acredita, tente.

Uma coisa é um bloqueio criativo e outra é preguiça. As duas formas podem ser enfrentadas de maneiras similares. Nas duas ocasiões precisamos de motivação. E não é difícil encontrar essa vontade quando sabemos o que queremos atingir. Crie um objetivo com o que estiver escrevendo e comece a conversar com seu teclado, finja que ele é seu amigo mais próximo e fale até não conseguir mais.

Tome o exemplo deste mesmo texto que esta a ler. Há 15 minutos eu não tinha o que escrever para hoje, então me lembrei daquele velho dia em que eu enfrentei um processo criativo com o mesmo tema que o meu problema. E aqui estou eu, trazendo uma solução para mim mesmo, da mesma forma que antes, porém dizendo algo para alguém. Isso já me fez ter algumas ideias interessantes para novos contos, e assim que eu terminar de publicar este, já começarei a trabalhar nessas ideias.

Então vá escrever… Pode começar falando ai nos comentários!