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Jovem joga ex-namorada na frente de um ônibus por atrapalhar os seus planos

Carlos Hallan   -   09/08/2017

Parece cena de novela mexicana, onde o filho rico de um homem bem sucedido comete o "erro" de engravidar a sua namorada. Mas a vida é uma novela, e desta vez o cenário foi na zona sul do Rio de Janeiro.

Um jovem estudante de direito, tinha um importante intercâmbio para fazer. Ele iria para o Canadá, mas se deparou com o problema de ter engravidado sua namorada. Ao qual ele tinha um relacionamento por dois anos. Ela logo se tornou a "ex" e teve de conviver com o problema de não receber apoio do pai. Além disso ele tentou de várias formas convencê-la do aborto, mas como não conseguiu, marcou um encontro em uma avenida qualquer e prosseguiu com seu plano.

Empurrou-a contra um ônibus que vinha em uma velocidade normal. A jovem caiu no chão e uma das rodas do ônibus chegou a passar por cima de sua perna. O estudante fez cara de desconfiado (imagino), ainda tentando fingir que não sabia o que tinha acontecido. E para confirmar a sua culpa, o amigo ainda retornou a cena do crime para tentar conseguir as filmagens das câmeras de segurança. Pois bem, o vídeo é este aí embaixo e o link para a notícia mais completa é este aqui.

Vamos imaginar o que poderia ter motivado o rapaz a cometer este crime. Acredito que não estamos falando de uma pessoa qualquer, ele faz faculdade de direito e estava pronto para ir a um intercâmbio no Canadá. Certamente não é ninguém pobre. E com isso não é um alguém sem instrução. Ele pode ter se desesperado ao não se imaginar como um pai. Ou talvez ele já estivesse pronto para fazer um papel de vilão na Globo travestido de Nazaré Tedesco. O fato é que a tentativa de homicídio foi clara.

Como professor tenho algo a dizer sobre o que observo do comportamento de certos alunos. Na verdade o questionamento aqui deve ser sobre os pais. Eu tenho um exemplo claro de crianças que vivem dentro de domos protetores e glorificados. Existem alunos que adquirem um filtro do certo e errado com seus pais, e este filtro diz que sua família, dentro de sua casa, é superior em tudo, e que os vizinhos são nojentos e pecadores. Não pense que esta crítica é exagerada, isso acontece e convivo com pessoas assim todos os dias.

A casa parece ser o único local puro da terra. De modo que as crianças de 12 anos de idade não podem nem sentir o mal cheiro do lixo da esquina. Isso porque o mal do mundo está pronto para atingir aqueles únicos meninos. Um ladrão está preparado e aguardando eles chegarem em seu ponto de visão para atacar. A rua não é lugar para essa gente, é de casa para o carro e "de carro para casa". Caminhar? Só com os pais. Brincar? Não precisam de amigos imundos. Correr perigo? Eles podem morrer ao cair de um montinho de pedra ou pegarem uma infecção mortífera ao precisarem de merthiolate.

O plano de saúde nos melhores hospitais, garantem que eles não esperem em filas, portanto acreditam que possuem o direito de serem sempre os primeiros. "Eu estou pagando". A escola constrói a ideia de bolha de individual e o conteúdo tendencioso, ensina-os a escolherem seus amigos e de quem gostar.

"Não gosto mais daquela menina, ela faz hangloose".

- Mas o que isso tem a ver?

- Prefiro a menos bonita que vai sempre a igreja.

- Mas você não conhece nenhuma das duas!

- Mas mesmo assim, aquela escuta funk.

"Eu não sou homofóbico [...] meu irmão é um frango safado".

Assim vamos continuando com os exemplos das famílias que seguem a pedagogia da superproteção. O menino que não pode andar na calçada de casa com medo do mundo maligno, também não saberá o que é ter um medo verdadeiro. Não correu o risco de cair no asfalto, não sabe o que é apertar a campanhia do vizinho e receber uma bronca por perturbar a paz de alguém. E por isso não sabe quais reações ele encontrará quando cometer os erros mais sérios.

Os erros básicos e perdoáveis estão distantes deles. Sabem apenas que se derrubarem suco na mesa de vidro terão de limpar, mas passar um pano é algo simples, então é normal derrubar suco na mesa. Não se importam com isso e não irão tentar não derrubar. Afinal de contas, a empregada é quem lava os panos. Não comer o almoço também é um crime dentro de casa, mas quando os pais estão estressados, isso é completamente aceitável alguns pacotes de Oreo poderão resolver a fome do dia. E quando o fim de semana chegar, o carro os levará para um passeio dentro de um outro estabelecimento perigoso. O shopping center.

Os limites da vida, da ética e moral, não são fáceis de entender por pessoas que não passam por dificuldades na vida. E quando me refiro a dificuldades, não quero falar do pobre que passa fome, mas também do estudioso que não dorme direito, do trabalhador que não se aguenta em pé. Para essas pessoas temos o que dizer: "Valerá a pena o seu esforço", "parabéns pelo bom trabalho".

Para o rapaz que não conseguiu visualizar as consequências geradas pelos seus atos antes de cometê-los, temos que passar a mão na cabeça e aguardar que o seu caro advogado tente colocá-lo de volta na bolha, pagando uma fiança ou algumas propinas de "jeitinho". Assim o nosso amigo estudante não perderá a sua essência, e poderá continuar a andar por aí com o nariz para cima, acreditando que pode manipular tudo a seu favor.